Embora haja alguma divergência no varejo do detalhe, no atacado do que importa não há dúvida nenhuma: o Brasil está patologicamente endvidado.
75% das famílias estão próximas da insolvência¹ – e, pior ainda, é saber que mais de 80 milhões de pessoas já estão com o nome no SERASA². Detalhe: não falta quem, a despeito da retomada da inflação de alimentos, entenda serem as bets a grande causa desse tsunami.
Isso não é tudo. Por trás da grandeza desses números, há sempre os dramas pessoais – desde o jovem que não iniciou a faculdade para usar o dinheiro da mensalidade nas apostas até a paciente que tentou o autoextermínio pelo desespero de não ganhar. São os impactos sociais junto à saúde mental – e já também não falta quem diga que, quando as bets ganham, o Brasil perde³.
A sociedade vai se tornando credora, as bets começam a a acumular uma dívida social incalculável. Essas são as melhores dívidas: as que nunca serão pagas.
Referências
¹Valor Econômico, edição de 21.05.26, matéria intitulada “Mais da metade dos lares está no limite da insolvência”.
²Folha de S. Paulo, edição de 06.05.26, artigo de Joanna Moura intitulado “Bets e a areia movediça do endividamento”.
³Folha de S. Paulo, edição de 20.05.26, artigo de Armínio Fraga, Paulo Chapchap e Rebeca Freitas intitulado “Bets: a saúde e o bem-estar dos brasileiros em jogo”.