Parece haver uma sede sanguinária para combater o bom combate – o da propaganda das bets durante os jogos da Copa do Mundo destacando a “urgência” de se apostar enquanto a partida não acaba. Ministérios da Fazenda e da Justiça colocaram a faca nos dentes¹ – e sabe lá Deus quem mais não se juntará nessa guerra santa, que irá perdurar ao menos enquanto a Copa não acabar.
É curioso, porém, que o próprio Governo, quando da regulamentação desse tipo de propanda, tenha feito questão de excluir proibições legais do gênero – para o que contribuiu ativamente servidor que hoje está na Comunicação Social do Planalto². Arrependimento sincero é tudo.
Bem menos arrependimento, no entanto, tem o próprio Governo Federal quando o assunto é publicidade de cerveja: pela atual legislação (que já tem seus 30 anos), cerveja simplesmente não é considerada álcool³ – e fazer ou não propaganda da droga em canais adolescentes é, nos termos da lei, decisão de consciência do próprio propagandista. Liberdade é tudo – e aqui ninguém se arrependeu de nada.
Há muitos paralmentares e burocratas lutando bravamente por essas liberdades, que, coincidentemente, produzem enxurradas de dinheiro (mas não para quem sofre as sequelas das patologais que produzem) – embora ainda seja melhor ter a consciência tranquila do que precisar vir a se arrepender depois.
¹Folha de S. Paulo, edição de 01.07.26, “Fazenda abre processo contra bets que anunciaram na CazéTV na Copa”.
²Folha de S. Paulo, edição de 04.07.26, “Governo redigiu emenda que abriu caminho para bet anunciar em jogo de futebol”.
³Folha de S. Paulo, edição de 30.06.26, artigo de Ilana Pinsky intitulado “Lei de publicidade do álcool faz 30 anos e o que mudou durante o período?”.