sem dependência química

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Proibições

Há uma natural resistência ao se debater a proibição do comércio lícito de certos produtos, ainda que aniquelem com boa parte, ao menos, de seus consumidores. A ideia é que adultos têm poder de autodeterminação quanto ao que fazem, desde que não prejudiquem terceiros – em acréscimo ao fato de que proibir seria sinônimo de aplaudir o mercado ilícito¹.

A vida seria maravilhosa se a realidade se amoldasse ao valor de bons argumentos.

O Reino Unido decretou lei marcial contra cigarros e vapes: ficou proibido, em caráter perpétuo, a venda desses produtos às pessoas nascidas a partir de 2.009². O argumento é simples: quem paga a conta das sequelas dessa autodeterminação é o serviço público de saúde. São 75 mil mortes por ano, antecedidas por muito sofrimento dentro e fora dos hospitais – pagos, repita-se, com dinheiro de todos os contribuintes britânicos. Há bem pouca autodeterminação aqui.

Seria ótimo se a diferenciação entre o lícito e o ilícito fosse construída a partir de conceitos sobre o que seria e o que não seria melhor à sociedade.

Mas não tão ótimo é saber que os industriais da praga das bets, até anteontem proibidas, passeiam de avião com os atuais líderes do Congresso Nacional³ – certamente para lhes assoprar as maravilhas do mercado lícito.

Parece não haver proibição nisso – há, apenas, algo muito, mas muito errado.

¹Folha de S. Paulo, edição de 24.04.26, editorial intitulado “Paternalismo contra o tabagismo no Reino Unido”.

²Folha de S. Paulo, edição de 23.04.26, matéria intitulada “Reino Unido proíbe cigarros a jovens para sempre”

³Folha de S. Paulo, edição de 29.04.26, matéria intitulada “PF apura entrada de malas por avião em que estavam Motta e Ciro Nogueira”.