Há uma nova onda na indústria do álcool: o investimento em cervejas que engordam menos e que, para tal, têm pouco ou nenhum álcool. A que mundo chegamos: para ser saudável, é preciso consumir alguma droga de maneira fingida.
Evidentemente, cerveja fitness é produto para pessoas mais abastadas – e com menores preocupações na vida. Não chega a 2% do que hoje se produz nesse mercado¹.
Do lado da vida real, a situação é bem outra: no Brasil, a violência doméstica vem aumentando constantemente – e, hoje, a discussão é não “apenas” sobre lesões e feminicídios, mas também sobre (esperáveis) danos psicológicos de prolongada permanência, como depressão, ansiedade e automutilação². Não é simples avaliar a complexidade desse quadro: não ter renda própria pouco superior a um salário mínimo, às vezes, pode fazer com que algumas mulheres se submetam a essa triste situação³.
Metade ou mais desses casos tem origem na depedência química, em especial na doença do alcoolismo1. Não há espaço para soluções fitness na vida real.