O Governo Federal faz força para responsabilizar os parceiros das bets ilegais – sejam os que lhes franqueiam meios para receber dinheiro, sejam os que fazem sua propaganda¹. As casas de apostas com certificado de licitude agradecem – e reafirmam que jogar não é o problema; o problema é jogar sem pagar impostos.
A indústria do álcool paga seus impostos – mas, na média, o Brasil intercepta 23 motoristas embrigados por hora, há 18 anos². Como as batidas da lei seca não são onipresentes, não fica difícil imaginar a desgraça que esses impostos financiam em termos de fraturas, mortes e tragédias familiares.
E na Colômbia, onde a produção de cocaína continua ilegal, houve aumento de tudo que é ruim: a produção triplicou, puxada pelo pra lá de significativo consumo europeu. Mais coca, mais violência, mais armas – a reclamação geral é que, feito algum acordo enre Governo e grupos armados, o Estado não ocupa responsabilidades, ficando tudo novamente ao deus-dará³.
Há uma notícia ruim, comum a todas as outras: a de que, entre proibições ou legalizações, tributos ou falta deles, a responsabilidade pela existência das coisas é apenas nossa.
Fontes
¹ Folha de S. Paulo, edição de 20.06.26, “Instituições financeiras terão de bloquear dinheiro de bets ilegais, anuncia governo Lula”.
² Folha de S. Paulo, edição de 20.06.26, “Instituições financeiras terão de bloquear dinheiro de bets ilegais, anuncia governo Lula”.
³ Valor Econômico, edição de 18.06.26, “Criminosos expandem domínio na Colômbia com nova onda de cocaína”