sem dependência química

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Podcast debate o impacto do vício em jogos na sociedade

O podcast Sem Dependência dedicou o 16º episódio ao alcoolismo e seus impactos na vida das pessoas, das famílias e da sociedade. Ao longo da conversa, motivada pela discussão sobre uma pesquisa que aponta que mais da metade das mortes violentas no Brasil está relacionada ao álcool ou às drogas, os convidados abordaram a dificuldade de reconhecer a dependência, os reflexos da publicidade no consumo, o papel da cultura e a necessidade de ampliar o acesso à informação e ao tratamento.

O apresentador Miguel Tortorelli destacou que um dos maiores desafios do alcoolismo é que muitos dependentes não reconhecem que estão doentes. Segundo ele, é comum que a pessoa acredite que consegue interromper o consumo quando desejar, mas acabe entrando em um ciclo constante de recaídas, enquanto o sofrimento se estende para toda a família.

"A grande maioria que bebe não acredita que é alcoólatra e acredita que consegue parar quando quiser, mas para apenas quando já não consegue nem pegar o copo. Fica um mês, às vezes dois, e depois volta. E quem mais sofre é a família. A família realmente sofre muito mais que o dependente", completa.

O alcoolismo visto como entretenimento

Outra pauta levantada foi a forma como o álcool está presente nas relações sociais, onde o jornalista Fábio Piperno observou que comportamentos de descontrole muitas vezes são vistos como motivo de diversão, quando, na realidade representam sinais de um problema mais profundo.

"Tem gente que organiza uma festa já pensando naquele sujeito que vai ser a atração porque vai beber demais, dar vexame, vai assediar, o que pode dar uma confusão para a vida dele. Isso acontece porque o sujeito perde totalmente o controle, e é um problema que começa de forma invisível e, muitas vezes, quem está ao lado demora para perceber que não é apenas um momento de lazer, mas algo muito mais profundo".

Durante o episódio, os participantes também discutiram a forte associação entre bebidas alcoólicas, entretenimento e grandes eventos esportivos. Para o Dr. Paulo Leme Filho, embora o consumo seja socialmente aceito, é preciso refletir sobre o impacto que campanhas publicitárias protagonizadas por figuras públicas exercem sobre crianças e adolescentes.

"Ainda levam em consideração a relação entre alegria e álcool, carnaval e álcool, Copa do Mundo e álcool. Existe uma banalização das consequências daquilo que a gente faz e, agora, na Copa do Mundo, a gente vai ter uma enxurrada de propaganda incentivando a beber, porque ninguém faz propaganda contra o seu próprio produto. Então, a propaganda serve para as pessoas beberem mais", afirma o advogado.

Na sequência, Fábio Piperno analisou que a aceitação cultural do álcool faz com que campanhas de bebidas sejam encaradas apenas como ações comerciais, sem que seus impactos sociais sejam amplamente debatidos.

"Uma bebida alcoólica não é um produto moralmente condenado. Quem faz propaganda costuma pensar que está anunciando apenas mais um produto, como um relógio. Mas essa discussão merece reflexão por causa dos impactos que o consumo abusivo provoca na sociedade", completa o jornalista.

Lançamento do livro Alcoolismo Pós-Morte

Outro destaque do episódio foi a apresentação do livro Alcoolismo Pós-Morte, de autoria do Dr. Paulo Leme Filho. Ele explicou que a obra nasceu a partir de experiências vividas dentro da doutrina espírita e busca ampliar a reflexão sobre a dependência química sob uma perspectiva espiritual.

"Se eu estou dizendo que a dependência química continua depois que você morre, é porque vale a pena pensar sobre isso agora. Vale a pena olhar para essa questão dentro de você agora, não amanhã. A morte não existe. Assim como a morte não existe, nossos defeitos também continuam".

O impacto do vício

Em um dos momentos mais emocionantes da conversa, o apresentador compartilhou a história da morte de seu pai, vítima de um acidente relacionado ao consumo de álcool. O relato evidenciou como a dependência química pode transformar profundamente a trajetória de uma família e reforçou a importância do acolhimento e da busca por tratamento.

"A dependência química me tirou o direito de tentar conviver com meu pai. Desde então eu nunca coloquei um gole de bebida na boca, porque sei o quanto aquilo prejudicou minha família. Quem tem alguém passando por isso precisa conversar, buscar ajuda e lembrar que quem está ao redor também sofre", adicionou o jornalista Hugo.

Ao encerrar o episódio, o Dr. Paulo Leme Filho ressaltou que depoimentos como esse fortalecem o trabalho de conscientização desenvolvido pelo podcast e reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre prevenção, tratamento e apoio às famílias.

"É isso que nos ajuda. São esses depoimentos que nos incentivam a continuar nesse trabalho", concluiu.

Com informações técnicas, relatos de experiência e reflexões sobre os impactos do consumo abusivo de álcool, o episódio reforça a importância de reconhecer a dependência química como uma doença que exige acolhimento, informação e tratamento. Ao promover esse debate, o Sem Dependência busca contribuir para a conscientização da sociedade e incentivar a busca por ajuda, mostrando que a prevenção e o diálogo são fundamentais para transformar essa realidade.

Sobre o podcast

O Sem Dependência é uma iniciativa que busca ampliar o debate sobre a dependência química, tema que afeta diretamente cerca de 10% da população brasileira. Em episódios quinzenais, o programa traz discussões sobre temas atuais, com base em dados, experiências e análises. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 30 milhões de brasileiros têm algum familiar dependente químico.

Mediado pelo jornalista Hugo Pereira, o podcast conta com a participação do advogado e escritor Paulo Leme Filho, do coordenador nacional da ONG Amor-Exigente, Miguel Tortorelli e do jornalista Fábio Piperno.