sem dependência química

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Histórias

A história agora é que o melhor jeito de parar de fumar é... fumando.

Sim, e quem conta esse conto é quem, chova ou faça sol, vai acabar ganhando muios contos: a indústria do cigarro. É ela quem propõe a substituição dos velhos cigarros de papel pelos dispositivos eletrônicos¹.

A ideia é simples: vapes e sachês, segundo a indústria que os fabrica (isto é, a própria indústria do cigarro), são menos nocivos à saúde – e, por isso, precisam ser rapidamente colocados à venda (como, aliás, já acontece na prática, mesmo que de forma ilegal).

O Brasil, no ápice do velho tabagismo, tinha, em 1.996, 34% de fumantes entre a população – tendo chegado a 9% em 2.021 para, recentemente, em 2.024, voltar a crescer, agora com 11,6%. Parece óbvio que o vape, em especial, abriu as portas para a retomada do consumo não de um, mas de todos os tipos de cigarro, eletrônicos ou de papel.

Mas a indústria diz que não – e fala que os dispositivos eletrônicos são a melhor solução para diminuir o tabagismo.

Quando a indústria dos analgésicos derramou, legalmente, enxurradas de analgésicos à base de opioides no mercado norte-americano, o argumento era de que isso não iria viciar ninguém² – mas bastaram duas décadas para os Estados Unidos encararem a pior crise de drogas já vista por lá: o apocalipse do fentanil.

São indústrias diversas, contando as mesmas histórias.

Referências:

¹Folha de S. Paulo, edição de 17.05.26, “Cigarro perde espaço para produto sem fumaça na receita da Philip Morris”