Em geral, entre homicícios e acidentes de trânsito, o álcool está presente no sangue de mais de metade das vítimas. Mas quando se trata de feminicídios, o ponto de atenção passa a ser o agressor – 35% dos assassinos estavam embrigados, sendo que mais de 75% desse inferno se passou dentro da própria residência¹.
Tributação elevada, campanhas publicitárias, regulamentação de vendas² – as balas de prata de sempre pedem passagem para, mais uma vez, prometer liquidar com o problema.
Há, porém, algo que precisa ser revisitado – o sentimento de que, ao se tocar nesses assuntos, há uma interferência descabida da sociedade no meu divertimento de final de semana, feito no comodismo de meu lar.
A selvageria do feminício parece ser um problema do mundo – mas o problema, mesmo, é que meu lar, infelizmente, também faz parte do mundo.
¹Folha de S. Paulo, edição de 23.03.26, matéria intitulada “SP tem média de 70 casos por dia de violência doméstica associada a álcool”.
²Folha de S. Paulo, edição de 24.03.26, editorial intitulado “Gatilho da violência doméstica, álcool exige regulação”.