BLOG

Podcast discute impacto dos vícios na saúde pública

O podcast Sem Dependência traz, em seu novo episódio, um debate aprofundado sobre os impactos do consumo de álcool na saúde pública brasileira, os custos bilionários gerados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e a falta de políticas efetivas de prevenção à dependência química. A conversa aborda ainda o papel do lobby da indústria de bebidas alcoólicas, a responsabilização das empresas produtoras e os efeitos sociais que ultrapassam o indivíduo e atingem toda a sociedade.

Para o advogado e escritor Paulo Leme Filho o alcoolismo não pode mais ser tratado como um problema exclusivamente individual, já que a dependência química gera uma sobrecarga constante no sistema público de saúde. “Quando falamos de dependência química, estamos falando de uma conta que não é paga apenas pelo dependente, mas por toda a sociedade, inclusive por quem enfrenta hospitais lotados em razão das doenças secundárias da dependência. O problema do outro também acaba se transformando no nosso problema”, conclui.

Leme Filho destaca que os alcoolistas costumam ser usuários frequentes do SUS, com múltiplas internações ao longo da vida, e comenta como o tema ainda é pouco enfrentado socialmente. “O paciente do alcoolismo, principalmente, mas também do cigarro, não vai apenas uma vez ao médico. Ele apresenta múltiplas doenças: entra primeiro por uma insuficiência cardíaca, depois por um problema hepático, depois por um acidente de moto e, mais tarde, por uma agressão. Esse paciente é um poliusuário do sistema de saúde”, completa.

O álcool e a pressão sobre o SUS

Ao longo do episódio, os participantes ressaltam que o álcool, apesar de socialmente aceito, está entre os principais fatores de adoecimento, acidentes de trânsito, violência urbana e afastamentos do trabalho. O jornalista Fábio Piperno comenta como o consumo excessivo impacta diretamente o sistema público. “O Estado está gastando muito dinheiro com isso. Se o sujeito está na rua bêbado e provoca um acidente, você tem duas, três ou cinco pessoas feridas, todas atendidas em hospitais públicos. Quem vai arcar com essa conta? É a sociedade inteira, e essa é uma discussão não resolvida até hoje”, observa.

Piperno também chama atenção para o paradoxo entre o alto custo social do alcoolismo e a ausência de uma cobrança efetiva das empresas que lucram com o consumo. “Quem produz a substância que provoca esse tipo de vício pode lavar as mãos, continuar fazendo propaganda e vender para o próximo. É um tema que merece reflexão dos decisores políticos, que precisam, sim, buscar fórmulas para reduzir os impactos para o Estado, investir em prevenção e diminuir o custo do tratamento”, pontua.

Lobby, indústria e falta de responsabilização

O episódio também discute o poder do lobby e o papel da propaganda na expansão de atividades que geram adoecimento social, como as bets, o álcool e o tabaco. Segundo Paulo Leme Filho, é natural que quem vende um produto queira ampliar seu consumo, mas esse deveria ser um debate central nas políticas públicas. “Quando se fala em taxação das bets, rapidamente se organiza um lobby muito articulado, que constrói uma narrativa para se proteger. O argumento é sempre o mesmo: se tributar demais, o mercado migra para a ilegalidade. No fundo, é uma forma de evitar a responsabilização”, afirma.

Segundo o advogado, enquanto setores lucram com a produção do dano, a discussão sobre o custo desse adoecimento para o SUS simplesmente não acontece. “Ninguém debate quem paga essa conta, quanto o sistema público gasta e por que esses pacientes retornam tantas vezes ao atendimento. Essa não discussão revela o quanto o interesse econômico ainda se sobrepõe à saúde coletiva”, completa.

O coordenador nacional da ONG Amor-Exigente, Miguel Tortorelli, reforça que os vícios continuam crescendo e impactando diretamente a saúde pública. “Uma coisa que tem aumentado muito no Brasil são as bets. Vocês não imaginam o número de casos. Tanto que as comunidades terapêuticas já estão se especializando em acolher essas pessoas, que precisam se reeducar e mudar de caminho”, destaca.

Os debatedores defendem que políticas públicas mais firmes, campanhas de conscientização e um debate honesto sobre os custos sociais do álcool são fundamentais para reduzir danos e salvar vidas.

Sobre o podcast

O Sem Dependência é uma iniciativa que busca ampliar o debate sobre a dependência química, tema que afeta diretamente cerca de 10% da população brasileira. Em episódios quinzenais, o programa traz discussões sobre temas atuais, com base em dados, experiências e análises. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 30 milhões de brasileiros têm algum familiar dependente químico.

Mediado pelo jornalista Hugo Pereira, o podcast conta com a participação do advogado e escritor Paulo Leme Filho, do coordenador nacional da ONG Amor-Exigente, Miguel Tortorelli e do jornalista Fábio Piperno.

📩 contato@semdependencia.com.br
TRANSFORMANDO VIDAS, UM DIA DE CADA VEZ
Links úteis:
©2025 ECCO Escritório de Consultoria e Comunicação